13 de outubro de 2008

Especialistas esclarecem o que fazer diante da crise econômica




Como agir e se planejar diante da crise? Especialistas consultados por Zero Hora esclarecem os questionamentos mais freqüentes dos leitores. Confira abaixo as perguntas e respostas:

Eu quero importar um produto diretamente, faço isso agora? Espero?

A decisão depende da cotação do dólar. Como é difícil prever se a moeda vai se valorizar ou perder força nos próximos dias, é uma opção sujeita a risco. Uma coisa é certa: a moeda não voltará tão cedo ao patamar de R$ 1,60.

Se os produtos importados estão mais caros, quer dizer que as empresas podem aumentar os preços no Brasil também?

Sim. Mas o desaquecimento da economia pode fazer com que evitem o aumento de preços para incentivar o consumo.

Se a inflação pode aumentar, o Copom vai elevar o juro também?

Provavelmente. Mas não existe consenso de que haverá aumento de preços. O Copom já vinha aumentando os juros e pode julgar que novos reajustes seriam um remédio amargo demais quando a economia mundial se desacelera. No curto prazo, economistas acreditam que o Banco Central pode segurar eventuais aumentos na taxa para evitar uma freada forte do consumo. Ou, no mínimo, tende a reduzir o ritmo de alta inicialmente previsto.

Vou viajar para o Exterior. Compro dólar, euro ou uso o cartão de crédito?


O vantagem é usar os dois métodos para diluir o risco. Leve parte em dinheiro vivo e utilize o cartão de crédito. Quando você compra com o cartão de crédito no Exterior, a conversão do dólar e do euro para o real é feita no dia do pagamento da fatura, e não no dia da compra. É difícil prever qual será a cotação. Para comprar moeda estrangeira agora, o melhor é trocar um pouco por dia até a data da viagem. Assim, é possível obter uma cotação média.

É hora de entrar ou sair da bolsa?

É muito arriscado entrar e é recomendado apenas para especialistas. Mas o atual momento pode apresentar oportunidades já que papéis de empresas sólidas estão com preço baixo. Pode ser um bom momento de entrar na bolsa para quem tem dinheiro e condições de fazer apostas arriscadas, além de sangue frio para manter o dinheiro parado por meses ou anos até a recuperação das ações. Quem já está no mercado deve avaliar se a carteira está lucrando ou perdendo em relação ao investimento inicial. Se os papéis estiverem apresentando prejuízo, o indicado é esperar até que se recuperem.

Por que os bancos brasileiros são mais seguros que os americanos?

Porque não compraram os títulos podres que estão levando os bancos estrangeiros à falência. Isso ocorreu por que as instituições brasileiras preferiram apostar em papéis sólidos como títulos do governo, que apresentam retorno alto e com muito menos risco. Além disso, os lucros dos bancos brasileiros são invejáveis, mesmo com operações consideradas conservadoras para os padrões de Wall Street e, em razão disso, não sentiram necessidade de fazer as apostas arriscadas que levaram o sistema financeiro americano ao colapso.

Os bancos do mundo oriental e árabe, que têm muito dinheiro, não podem ocupar o papel de Wall Street e injetar recursos no Ocidente?


Dificilmente. Esses bancos e fundos não sofrem de falta de recursos. O principal problema do sistema financeiro europeu e americano é a falta de confiança. Mesmo com dinheiro, árabes e asiáticos (e até instituições da América Latina) não vão correr riscos adicionais para interferir numa crise estrangeira.

Se as bolsas se estabilizarem, quer dizer que a crise passou?


Não. A crise não está na Bolsa de Valores. O mercado de capitais apenas reflete alguns dos problemas. As bolsas estão caindo porque bancos enfrentam dificuldades de honrar compromissos e precisam vender ações para cobrir prejuízos e pagar dívidas. Mesmo que o mercado fique estável ou suba por algum tempo, o problema de falta de liquidez dos bancos vai continuar. Mas, se novos problemas surgirem, é provável que a bolsa volte a cair.

Se vai haver menos crédito no mercado, os juros (para a compra de carro, casa, eletrodomésticos, etc) devem ficar mais altos?

Sim. Os efeitos já estão chegando ao consumidor. O custo de movimentação de dinheiro entre bancos está mais caro e este movimento tem reflexo imediato nos financiamentos.

Como ficam os financiamentos?

Devem ficar mais caros e com prazos menores. Mas economistas são unânimes em afirmar que os empréstimos não devem voltar ao passado, quando um financiamento era praticamente proibitivo.

É melhor comprar a prazo agora ou esperar?


Apesar do aumento do juros nesta semana, as taxas ainda estão atrativas na comparação com os últimos anos. Portanto, o consumidor não fará um mau negócio se assinar contrato nas próximas semanas. Se a crise americana se agravar, os juros vão continuar subindo. Caso o pacote do governo do EUA seja aprovado nos próximos dias, talvez o juro se estabilize até o início do ano que vem. Esperar significa se submeter a sorte aos próximos acontecimentos da crise - aos riscos.

É a hora de comprar dólares e euros?

O dólar e o euro estão subindo e existe consenso de que a moeda norte-americana não voltará aos patamares recentes, quando esteve próxima de R$ 1,60, no curto e médio prazo.

A alta do dólar vai aumentar os preços dos produtos importados?


Sim.

Como vão ficar os preços no Natal? Podem aumentar?

É provável que produtos importados aumentem de preço e que produtos nacionais caiam. O Banco Central vem aumentando a taxa de juros para reduzir a demanda, o que incentiva empresas a reduzir preços. Até o Natal, a política de reajuste das taxas deve aparecer nas gôndolas. Além disso, empresas exportadoras devem ter mais dificuldade para vender seus produtos lá fora e devem descarregar as mercadorias no mercado interno, incentivando queda de preços. Os preços dos alimentos também estão em queda.

O dólar mais alto pode elevar o preço da gasolina, do álcool, do diesel?

Sim. A cotação do petróleo está em baixa devido às previsões de queda na demanda. Por isso, os preços devem se manter estáveis. No caso do álcool, a maioria dos produtos agrícolas básicos está em queda, o que puxa o valor do etanol para baixo.

Isso quer dizer que a inflação pode aumentar? Se sim, em quanto? É possível estimar?


É difícil prever porque os preços são regidos por movimentos conjugados. Existem duas correntes entre os economistas. Alguns acreditam que, na média, a inflação deve perder força porque a demanda vai diminuir. Minérios, petróleo e produtos agrícolas básicos já estão caindo de preço. Além disso, o Banco Central vinha aumentando o juro, freando a inflação. Outros acreditam que os preços podem subir mais rapidamente, principalmente por causa do aumento do dólar e dos produtos importados.

Um comentário:

Pink Rose disse...

Amei os posts sobre Economia, apesar de fazer tempo q foram postados. Mas como só conheci o blog agora... rs...

como faço facul de Economia, super aprovo a iniciativa.

E o blog inteiro está de parabéns, apesar de não ter lido todos os posts. Estou acompanhando a Vivi no 'Pra garotas e mulheres' tbm e agora estou super feliz q ela também está seguindo o meu bloguinho, q ainda é um bebê!!

A paz de Cristo seja com vcs e que esse blog de aconselhamento ajude mta gente a encontrar essa paz!!!

Bjossssss

Bjkssssss

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